Indústria de sorvetes planeja crescer até 10% no inverno
Pesquisa inédita da ABRASORVETE revela que mais de 54% dos fabricantes de sorvete preveem incremento nas vendas com foco em sobremesas sofisticadas. Parcerias com restaurantes, cafeterias e docerias ditam o novo ritmo do setor.
O sorvete brasileiro está deixando de ser visto apenas como um picolé de praia para se consolidar como o grande protagonista da alta confeitaria e das sobremesas de inverno. A tese de crescimento da indústria nacional de sorvetes para mitigar a sazonalidade nos meses mais frios do ano está ancorada na diversificação de portfólio e no avanço do mercado premium.
De acordo com um levantamento inédito realizado pela ABRASORVETE (Associação Brasileira do Sorvete e Outros Gelados Comestíveis), 54,5% dos fabricantes do país projetam um incremento de até 10% nas vendas da estação a partir do hábito do consumidor de combinar o sorvete com sobremesas quentes ou complexas, como Petit Gâteau, Brownies, Croissants e Fondues.
Para o presidente da entidade, Márcio Favaro, o mercado passa por um amadurecimento técnico. “O foco do setor mudou: saímos do volume puro e entramos na era do valor agregado. No inverno, o ganho de margem não vem do consumo de impulso na rua, mas sim de contratos estratégicos de fornecimento para grandes redes gastronômicas”, explica.
O motor do food service e os canais de crescimento
O levantamento comprova que o canal B2B (Business to Business) ganhou relevância estratégica vital. Para 23% das indústrias pesquisadas, o fornecimento focado no canal Food Service (restaurantes, cafeterias, padarias e redes de sobremesa) já possui alta relevância, sendo apontado como um dos principais pilares para manter o faturamento estável ao longo de todo o ano e combater o impacto do inverno.
Quando questionados sobre quais canais de venda apresentam o maior potencial de crescimento para o consumo de gelados comestíveis no frio, os industriais apontaram:
- 18%: Redes especializadas em sobremesas (como docerias e confeitarias).
- 13%: Cafeterias.
- 13%: Restaurantes.
Engenharia de alimentos: P&D focado no paladar adulto
Para atender às exigências de chefs e donos de restaurantes, as fábricas de sorvete estão investindo pesado em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D). A pesquisa da ABRASORVETE revela quais são as vertentes de produtos que os industriais enxergam com maior potencial de demanda para o inverno:
- Bases neutras de alta performance (45%): Sorvetes de Baunilha e Creme com formulação específica desenvolvida para resistir ao derretimento térmico rápido — uma exigência técnica essencial para acompanhar Petit Gâteaux e folhados quentes na mesa do cliente.
- Caldas e Adstringência (41%): Formulados especificamente para contrastar com frutas quentes e fondues, apostando em sabores intensos como chocolates com alta porcentagem de cacau e caramelo salgado.
Os “queridinhos” do portfólio nacional
O mapeamento da associação também revelou quais sobremesas de sucesso já fazem parte do radar de produção das fábricas, que desenvolvem ou homologam linhas exclusivas de sorvete para essas aplicações. O topo do ranking é liderado por duas paixões nacionais:
- Brownie com sorvete: 68% das marcas já possuem linhas de sorvete homologadas ou desenvolvidas especificamente para essa combinação.
- Petit gâteau: 59% das indústrias já atendem o mercado com formulações focadas na sobremesa clássica francesa.
“Esses dados comprovam a resiliência e a versatilidade da nossa indústria. O empresário de gelados comestíveis entendeu que o inverno não é um período de congelar investimentos, mas sim de acelerar a inovação e estreitar os laços com a gastronomia”, conclui Márcio Favaro.