Preço do pão pode subir com o aquecimento global

Entenda como a alteração no meio ambiente pode afetar as plantações de cereais

De acordo com a Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) do IBGE, o principal alimento consumido pelos brasileiros é o pão. O estudo de mercado da indústria da panificação realizado pelo SEBRAE ainda revela que 98% dos brasileiros consomem produtos panificados. A tradição é tão grande que 76% comem pão no café da manhã, sendo que 52% são do tipo francês. Essa realidade, entretanto, pode mudar por causa do aquecimento global.

Cientistas da Universidade de Washington publicaram uma pesquisa em que mostram que, hoje, de 5% a 20% das plantações de cereais, como o trigo, são atingidas por pragas agrícolas. A quantidade de trigo que alimenta os insetos, então, é equivale a um a cada oito pãezinhos. Entretanto, a situação piora em lugares quentes. O calor acelera o metabolismo dos pequenos artrópodes, o apetite aumenta e eles se reproduzem bem mais. Em média, a cada 1ºC que sobe no termômetro, os insetos passam a comer entre 10% a 15% a mais.

Caso a temperatura suba 4ºC até 2100, como estimam os estudiosos, o prejuízo irá dobrar e a quantidade de trigo perdido para as pragas será o equivalente a dois pães a cada oito produzidos. A crise nas plantações de grãos poderá ter como consequência o aumento do preço dos pães. Vale lembrar que a panificação está entre os seis maiores segmentos da indústria do Brasil, são aproximadamente 63,2 mil panificadoras no país que geram mais de 700 mil empregos diretos.

Em contraponto, um estudo publicado pela revista Nature Plants indica que o fertilizante de nitrato de amônio utilizado para combater a praga nas plantações é o responsável por mais da metade de todas as emissões de gases de efeito estufa na cadeia de produção do pão, maior até do que as emissões produzidas para colheita e irrigação.

A esperança é que o aquecimento global se reflita não só no aumento da praga agrícola, mas também de seus predadores, para que a cadeira alimentar seja balanceada.

 

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