Tecnologia e personalização transformam compras do Dia dos Pais

Especialista do Mission Brasil analisa como o varejo omnichannel precisa evoluir para acompanhar um consumidor cada vez mais conectado e exigente

 

Comemorado no próximo domingo, o Dia dos Pais é uma das datas mais relevantes para o varejo no segundo semestre. Em 2025, não será diferente: a celebração deve movimentar entre R$ 7,83 bilhões e R$ 7,85 bilhões, segundo dados da consultoria Sales Excellence Insights, um crescimento de 2% em relação ao ano anterior. Mas não é apenas o volume de vendas que chama atenção: o comportamento do consumidor nesta data está passando por uma transformação significativa.

Apesar de itens como perfumes, eletrônicos, calçados e acessórios continuarem os campeões de venda, houve um crescimento nas buscas por presentes personalizados e experiências que reflitam os interesses individuais dos homenageados. O conceito de “figura paterna” também se ampliou ainda de acordo com a pesquisa da Sales Excellence Insights, com 22% dos entrevistados visando presentear mais de uma pessoa, incluindo padrastos, avôs, tios e até amigos próximos, o que também diversifica os perfis de consumo.

Segundo Julio Bastos, Chief Commercial Officer do Mission Brasil, maior plataforma de serviços recompensados do país, há uma mudança clara no que motiva o cliente na hora da escolha. “O consumidor moderno, especialmente das gerações mais jovens, quer algo que tenha significado, que fortaleça laços”, explica..

Para Bastos, a compra vai além do produto: trata-se de criar uma experiência ou oferecer algo que represente um gesto genuíno de carinho, visto que a data já traz um grande apelo emocional. “Nesse contexto, a personalização e a curadoria de sugestões que fujam do óbvio serão diferenciais para as marcas. Quem conseguir direcionar o cliente a encontrar ‘o presente certo’ com base nos gostos e hobbies da pessoa homenageada, sai na frente”, reflete o especialista.

Ainda assim, apesar da expectativa de crescimento nas vendas, muitos brasileiros ainda lidam com orçamento apertado. Nesse cenário, estratégias de fidelização e recompensas (como cashback, pontos e descontos) ganham relevância ao permitir a compra de itens de maior valor agregado ou experiências memoráveis.

Bastos complementa ainda que o crescimento do consumo consciente também influencia escolhas, com foco em marcas sustentáveis e produtos com propósito. “A escolha do presente está diretamente ligada à percepção de valor. Com recompensas, o consumidor sente que está fazendo uma compra inteligente e a marca consegue oferecer algo mais significativo”, comenta Bastos..

A influência da IA e da tecnologia na experiência de compra

Oferecer uma boa experiência tanto no ambiente físico quanto no digital é hoje um dos maiores desafios do varejo. De acordo com o executivo, as marcas precisam integrar estoques, comunicação, atendimento e jornada de compra para manter a consistência e permitir que o cliente transite entre canais com fluidez. “Não basta ter uma loja bonita ou um site funcional. É preciso entender que o consumidor pode começar sua jornada no celular e finalizá-la na loja física, ou o contrário. E quando falamos de vender experiências em datas como o Dia dos Pais, isso se torna ainda mais complexo. A loja física precisa emocionar, enquanto o canal digital deve encantar com conteúdo, conveniência e serviço”, destaca o CCO do Mission.

Com o avanço da inteligência artificial no setor, as empresas têm investido também em algoritmos capazes de sugerir presentes de forma mais inteligente e relevante. A partir de uma análise do comportamento de compra, preferências de navegação e dados fornecidos pelos próprios usuários, é possível oferecer recomendações mais direcionadas, o que reduz o tempo de decisão e melhora a jornada do cliente como um todo.

“A tecnologia, especialmente a IA, tem papel central ao conectar marcas e consumidores de forma mais assertiva. O futuro do varejo passa por entender o cliente individualmente, e isso só é possível com ferramentas digitais robustas e dados em tempo real”, conclui o executivo.

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