Os riscos e as oportunidades com o uso da IA na política

Estudo revela como a IA pode manipular eleições no Brasil

A inteligência artificial (IA) está moldando o debate político no Brasil. Embora a sociedade reconheça seu potencial para manipular eleitores, muitos ainda têm dificuldade em distinguir o que é real do que é sintético.

Um estudo do Projeto Brief revela que 71,6% dos brasileiros acreditam que a IA pode influenciar eleições. Essa preocupação aumenta após a exposição a conteúdos gerados por IA, indicando uma vulnerabilidade crescente.

Dificuldade em identificar conteúdos

A incapacidade de identificar conteúdos gerados por IA é alarmante. Apenas 45,3% dos participantes reconheceram corretamente um vídeo fabricado. Entre os maiores de 61 anos, esse número caiu para 20,9%.

A desconfiança excessiva

Erros de Identificação

Entre os que assistiram ao vídeo original, 33,9% acreditaram que ele era gerado por IA. Isso demonstra uma desconfiança crescente em relação ao conteúdo autêntico.

“O problema é que as respostas geradas por IA não são 100% confiáveis — e isso é algo que as próprias plataformas sinalizam. Nem sempre fica claro de onde veio a informação, quais fontes foram consultadas ou se os dados estão atualizados. Em ano eleitoral, isso tem peso: a decisão de voto pode passar por respostas automatizadas que induzem ao erro”, completa Carol Luck, coordenadora do Projeto Brief.

Uso da IA como fonte política

O estudo mostra que 62,9% dos brasileiros consideram consultar IA para informações políticas. Isso inclui 22,4% que a veem como uma fonte útil e 40,5% que verificariam outras fontes.

Diferenças de gênero e faixa etária

Homens são mais propensos a confiar na IA, com 26,9% considerando-a uma fonte confiável, em comparação a 18,1% das mulheres. Jovens de 18 a 29 anos lideram a checagem de informações, com 42,8% consultando a IA e verificando em outras fontes.

“A abertura para consultar a IA sobre candidatos é alta e cresce ainda mais entre quem já usa a tecnologia no dia a dia. O que chama atenção é que essa disposição convive com a desconfiança: as mesmas pessoas que usariam a IA para se informar reconhecem que ela pode enganar”, avalia Ricardo Borges Martins, cientista político e coordenador geral do Projeto Brief.

A necessidade de regulação

Opiniões sobre regulação da iA

As mulheres são mais favoráveis à regulação da IA na política, com 73,6% apoiando essa medida. Em contrapartida, homens temem que a regulação limite a liberdade de expressão.

Polarização e percepções de risco

A confiança no discurso atribuído a figuras políticas varia entre as orientações ideológicas. No entanto, a preocupação com a manipulação eleitoral transcende essas divisões.

Transparência e fiscalização

Demandas por transparência

Mais da metade da população (50,7%) acredita que conteúdos políticos gerados por IA devem ter um aviso ou selo de identificação. Apenas 6,5% apoiam a circulação irrestrita desse material.

Responsabilidade pela fiscalização

Quando questionados sobre quem deve controlar o uso da IA na política, 51,6% apontaram o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), seguido pelo governo federal (42,1%) e plataformas digitais (38,0%).

O uso da IA na política é uma realidade crescente. A população pede transparência e regulação, reconhecendo a necessidade de saber quando a tecnologia está sendo utilizada.

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